domingo, 2 de setembro de 2018



Coincidências existem?                        (Da série: Parece cena de filme)

Às vezes vemos uma cena de filme e pensamos: "Ah, só mesmo em filme acontecem coincidências dessas."

Mas a realidade pode nos pregar peças e trazer-nos coincidências reais iguais as irreais cenas de filmes.

Morando na Gávea, tinha o privilégio de ir ao trabalho em um ônibus que me atendia bem, pois me deixava na Av. República do Paraguai, bem próximo à entrada da empresa onde trabalhava. 

Certo dia de calor intenso, coletivo sem ar condicionado, a viagem vinha igual aos outros dias.
Os passageiros usavam envelopes, jornais, qualquer coisa que service de abano.

À altura do hospital Instituto Fernandes Figueiras, no Flamengo, entrou uma senhora com um bebê ao colo. Era uma menina. Poucos segundos após a partida, a senhora começou a gritar desesperadamente:

- Minha filha! Minha filha!

Olhando para a menina vi que estava roxa. Todos gritavam ao motorista:

- Para! Para!

Até que o motorista entendesse o que acontecia, já havia passado uma boa distância do hospital onde a senhora subira ao ônibus. Finalmente parou o veículo e a passageira, desesperada, desceu à calçada.

Eu pensava que aquela não era a coisa certa a fazer. Como aquela pobre mãe faria para retornar ao hospital? Como superaria aquela distância? 

Instintivamente olhei pela janela e vi que passaria por nós uma patrulhinha da polícia.
Coloquei meio corpo fora da janela e fiz sinal para que parassem.
De imediato os policiais saíram do carro, armas em punho. Olharam para mim como a pedir mais informações. Só consegui apontar para a dianteira do ônibus, pois a aflita mãe já descera em busca do nada.

Em poucos segundos os policiais colocaram-nas na viatura e, atravessando o canteiro central da avenida, partiu de volta ao hospital, a toda velocidade.

Nunca soube o que aconteceu àquela menininha, mas o providencial aparecimento daquele carro de polícia naquele exato instante e o meu impulso de rápida intervenção dão-me a esperança de que tenha recebido a dádiva da vida.


Suely Domingues Canero

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