Brilhante, o Bar
Assim que ficou pronto o edifício 53 da Avenida Rio Branco, os benedenses, como são carinhosamente chamados os empregados do BNDES, foram transferidos da Rua Sete de Setembro número 48 para a nova sede, que fazia esquina com a Rua Visconde de Inhaúma, onde existia o Bar Brilhante no qual fazíamos pequenos lanches à tarde, aproveitando os 15 minutos que o Banco nos concedia.
Os mais antigos funcionários hão de lembrar-se do Brilhante, assim como do sapateiro administrado por um casal de jovens irmãos que assumiram o controle após o falecimento dos pais. Depois, já maduros, instalaram-se no Edifício Avenida Central e continuaram atendendo ao pessoal do BNDES.
Mas voltando ao Brilhante, os empregados nos conheciam, assim como já estávamos acostumados com suas presenças nos atendendo.
Certa tarde dirigi-me ao balcão para solicitar meu lanche a um atendente novato.
- "Mil folhas, por favor" - Solicitei.
O funcionário pegou um monte de guardanapos e começou a embrulhá-los. Estranhei sua atitude e perguntei-lhe:
- "O que está fazendo?"
- "A senhora não pediu 1000 folhas? Estou embrulhando..." - Respondeu ele.
Arregalei os olhos e, com sorriso complacente, apontei o doce exposto na vitrine.
Até hoje, todas as vezes que saboreio meu doce preferido, lembro-me daquele garoto recebendo as gozações de seus colegas de equipe.
Suely Domingues Canero
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