terça-feira, 12 de junho de 2018

Bakas e Barriga


Era dezembro de 2009 e estaria acontecendo um grande encontro de ex-alunos dos anos 60 na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro.

Meus dois amigos, quase 8.0, vieram para a reunião com dois dias de antecedência para curtir um pouco a cidade. Bakas partiu de Floripa e Barriga das Alagoas e, no Rio, encontraram-se. 

Dias antes, Barriga me telefonou dizendo que dividiriam um apartamento em um hotel no Catete. 
Ao me anunciar o preço da diária, muito barata, tentei argumentar que ficassem em quartos separados para que tivessem maior privacidade, mas os dois antigos colegas do curso de Agronomia estavam decididos e hospedaram-se no mesmo apartamento.

Não precisaria de bola de cristal para adivinhar o que aconteceria; os meus queridos turrões, viviam a discutir por qualquer motivo.

Procurei organizar passeios com eles envolvendo outros amigos que também haviam chegado com antecedência ao Rio de Janeiro. Assim, fomos parar na Estudantina, famosa gafieira que ficava na Praça Tiradentes. Enquanto nos divertíamos, os dois amigos deram tréguas às rabugices.

Para nossa surpresa, à nossa saída da Estudantina, uma chuva torrencial desabava.
Bakas e Barriga começaram as discussões sobre a estratégia de se conseguir um táxi. Ficaram zanzando na praça Tiradentes, para lá e para cá, na chuva. Eu, de saltos altos, atrás deles como uma barata tonta. Nem me ouviam. 

Após algum tempo, conseguimos um taxista, que deve ter se apiedado dos três velhinhos ziguezagueando sob o toró. Ainda bem que meus amigos não pintam os cabelos e a cabeça branca deve ter comovido o motorista.

Ah! No carro, finalmente! - pensei aliviada.

Mas o provável aconteceu a seguir: os dois continuaram discutindo sobre o melhor lugar para se  conseguir táxi. Já era demais! Instintivamente ordenei:

- Vocês dois, parem! Parecem crianças!

Silêncio... os dois calaram-se.

Deixei-os no Catete e segui para minha casa, na Gávea.

No dia seguinte, já no ônibus que nos levaria à Universidade Rural, soube que separaram  os quartos. Mas já estavam de pazes feitas, pelo menos até a próxima ranhetice.

-//-

Homenagem aos meus amados amigos Geraldo e Alberto (este in memoria)

Suely Domingues Canero

Nenhum comentário:

Postar um comentário