A cada década aparecem gírias; umas permanecem, outras não.
Assim, se um adolescente de hoje pudesse ouvir o diálogo de um grupo de jovens dos anos 60 provavelmente não conseguiria entender muita coisa, como aqueles - do grupo onde me incluo - nem sempre conseguem entender os dialetos dos jovens de hoje.
Dizíamos: "Aquele pão está flertando comigo. Ele é o tal."
Traduzindo: Aquele rapaz bonito está me paquerando. Ele é o máximo!
Dizem os jovens hoje. "Vou abalar com esta beca. Vou sair passando o rodo."
Traduzindo esta também: Vou fazer sucesso com esta roupa. Vou namorar todas as meninas.
Aliás, segredando, hoje não se namora: se fica.
As minas já foram uvas, brotinhos, pedaços de mau caminho, a nora que mamãe pediu...
Uma brasa era elogio e bicho poderia ser o amigo ou coisa ótima: "é o bicho, cara".
O que fez meu pensamento levar-me àqueles anos dourados onde os brotinhos flertavam, ficavam gamados e tinham dor de cotovelo foi um simples diálogo em que acabei me envolvendo e que terminou em boas risadas.
Estava eu animada naquele domingo, esperando que minha neta resolvesse - finalmente! - ajudar-me com meu canal do youtube enquanto aguardava o término da conversa que rolava entre ela e a mãe. De repente a mãe diz, concluindo o assunto:
- "Depois a gente bate um papo sobre isso"
Ao que minha neta respondeu:
- "Bate um papo!? Que é isso?"
Foi aí que, querendo ajudar, aconteceu minha trágica intervenção;
-"Dá um plá!"
Viram as duas para mim, filha e neta, e me olham com caras aterrorizadas. Seria eu um ET?
- "Dá um plá?! Que é isso?"
A risada foi geral porque entrou uma vovó "anos sessenta" no caminho e aí... não deu pé.
A mistura Anos Sessenta mais Anos Oitenta mais Anos Dois Mil... complicou geral...
Quase dei no pé e só não entrei pelo cano porque fui salva, numa boa, pelo Google. O "plá" está lá, para quem quiser conferir.
Suely Domingues Canero
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