Denise caminhava olhando as vitrines da Rua do Ouvidor, no Centro do Rio.
Acabara de almoçar e curtia os minutos que ainda lhe restavam para voltar ao trabalho.
Era moça bonita, de baixa estatura.
Vaidosa, aproveitou seu reflexo na vitrine para ajeitar os cabelos.
Ao virar-se esbarrou, sem querer, em uma mulher que passava na mesma calçada estreita.
- Desculpe - pediu Denise.
A criatura olhou-a raivosa e passou a agredir verbalmente Denise que ficou muito assustada, pois a tal mulher, de voz rouca e grande porte, cada vez mais se aproximava dela.
- Desculpe - repetiu.
Começou a juntar gente ao redor. Denise olhava em volta para ver se achava uma brecha escapatória.
A mulher aos poucos se aproximava dela, dedo em riste, já cutucando seu colo com o indicador, não se importando com o pedido de desculpas da já quase agredida.
- Por que não olha onde anda? - gritava a grandalhona
O pessoal que assistia a cena nada fazia: parecia divertir-se. O desespero foi tomando conta da baixinha que, já fora de seu juízo, empurrou para longe aquela massa disforme que estava à sua frente.
A mulher desequilibrou-se e caiu de costas no duro piso.
- Ah! Vou te pegar, sua estúpida! - esbravejava.
Apavorada, Denise aproveitou a situação para furar o bloqueio humano e fugir, sob aplausos.
Quando já estava a dois quarteirões de distância, ouviu as vaias à sua algoz cujos impropérios dava para ouvir ao longe.
- Cadê ela? Ah! se a pego...
Denise estava envergonhada por passar aqueles momentos de alta tensão e, ainda sem saber como, conseguiu forças para caminhar rápido e livrar-se daquele cenário.
.
Ao entrar no escritório seus colegas, que também chegavam do almoço, comentavam o caso que já se havia propagado. Denise, então refeita, entrou no assunto dizendo:
- É, gente, eu soube disso. Parece que uma baixinha derrubou uma gorila.
E os amigos explodiram em gargalhadas da piada, sem imaginar que a colega era uma das personagens que protagonizaram a cena.
Denise disfarçou o sorriso e foi tomar seu posto de trabalho mantendo segredo sobre a aventura pela qual passara.
(este texto é resultado de um desafio proposto em curso livre de português - Com ele homenageio a saudosa amiga Zely)
Suely Domingues Canero.
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